Na mesma intensidade em que me vejo metido em roubadas inacreditáveis, a sorte de quem ganha na megasena também me dá um alô de vez em quando.
Semanas atrás eu estava no Brasil para resolver pendências da mudança definitiva para Londres e ainda não tinha passagem de volta pro UK. Como o preço das passagens não estava bom porque ainda era verão na Europa, resolvi deixar pra comprar minha passagem de última hora e tentar achar uma daquelas promoções mágicas que todo mundo já “ouviu” falar que existe. Pois é, não achei.
Mas depois de muitos e muitos vôos desde que deixei o país pela primeira vez em 2008, com muita malandragem achei duas passagens no programa de milhas, a apenas dois dias antes de viajar:
São Paulo (GUA) ✈ Buenos Aires (AEP) / Buenos Aires (EZE) ✈ Paris (CDG) ✈ Londres (LHR)
Isso mesmo. Dois checkins diferentes, três vôos e ainda uma transferência de aeroportos em Buenos Aires, sem contar nas várias horas esperando nos aeroportos. Uma viagem que começou às 10h de segunda em Guarulhos e terminou às 18h de terça em Londres (tirando o caminho casa-aeroporto, aeroporto-casa). Foi uma maratona bem cansativa.

Estádio El Monumental (Buenos Aires) e Aeroporto Charles de Gaulle (Paris)
Poderia ser pior, mas aí entra a parte da sorte de campeão. A única passagem que achei nas milhas era de Business Class, que não era tão mais cara (em milhas) que a Economy Class. Isso já era um conforto razoável em meio a uma viagem tão longa.
Logo que entrei no vôo da AirFrance que ia de Buenos Aires a Paris a mulher que estava ao meu lado me perguntou se eu me importaria em trocar de lugar com o marido dela que estava sentado “ali na frente” – como eu estava exatamente na fileira do meio com pessoas dos dois lados, aceitei numa boa; Vai que o marido dela tem um assento na janela, né? – Mal podia eu esperar, que era muito mais que uma simples janelinha, ele estava na First Class! Sim, a passagem mais cara do avião, que chega a custar quase R$ 15 mil. Pra quem tinha desembolsado apenas a taxa de embarque, me saí mais do que bem.
Vou listar alguns dos benefícios incomparáveis que tive durante este vôo.
A começar pelo tratamento da tripulação. A aeromoça já pegou meu casaco para pendurar num cabide e ofereceu um champagne antes da decolagem. Nada mal.
A poltrona é incrível, tem mais botões que o painel do avião. Você ajusta cada parte para se sentar da melhor forma possível. E na hora de dormir ela vira uma cama, de verdade. Fica 90º e te trazem até lençol e edredom. Conforto absoluto.

Apesar de me sentir um peixe fora d’água (eu era o único ali com menos de 50 anos e menos de R$10 milhões na conta), fiquei muito à vontade na parte que mais me surpreendeu e agradou: o jantar. Sempre pensei que comida de avião era ruim por questões técnicas e logísticas a que um vôo se restringe. Na Classe Econômica sim, essa deve ser a desculpa. Porque na Primeira Classe servem comida de primeira, como num restaurante chique. Claro que o menu não é extenso, mas as poucas opções agradam muito. Tem até carta de vinhos.

Primeiro fui servido com um pratinho de aperitivos deliciosos, seguidos de salada e uma cesta de pães quentes como se tivessem saído da fornada naquele momento. A entrada foi um tartar de tomate com aspargos que estava delicioso, o prato principal foi um medalhão ao ponto (sim, dava pra escolher o ponto da carne) com molho madeira com alecrim acompanhado de legumes e pra fechar, quando eu já estava rolando de tanta comida boa, um maravilhoso sorvete de doce de leite argentino, que chegou bem perto da magia do Häagen-Dazs. Tudo isso com vinhos franceses de primeira e vinho do porto na sobremesa. No dia seguinte o café da manhã também seguiu com a qualidade do jantar.


O serviço lá na frente realmente é bem melhor, só não sei se vale o preço tããão diferente. Mas de graça até injeção na testa, já diria o ditado popular. Essa experiência vai ser difícil de esquecer, foi experimentar viajar sem a parte chata de estar em um avião. Melhor ainda é chegar no destino, sair em 5 minutos da aeronave, não pegar a fila da imigração e ainda contar com o celular carregado, já que na poltrona tem tomadas.
Essa fica na conta do casal rico que preferiu viajar juntinhos na Business Class :)
Se alguém tiver alguma história boa de vôo ou dica pra comprar passagem, comentem aqui, pois pretendo fazer um post dedicado a isso.
Posted by Cleber Zerrenner